Crise afecta sector imobiliário e da construção

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Pessimista ou realista, o certo é que Manuel Ferreira dos Anjos prevê que o agravamento da crise no sector imobiliário leve o País a “bater no fundo” em 2010. Os empresários partilham a preocupação, já os mediadores imobiliários entendem o abrandamento como “inevitável”.

A crise que já há cinco anos afecta o sector imobiliário em Portugal vai agravar-se nos próximos anos, devido ao aumento das taxas de juro, e deverá “bater no fundo” em 2010, prevê o director da Escola Superior de Actividades Imobiliárias (ESAI), Manuel Ferreira dos Anjos.

O Banco Central Europeu tem vindo a endurecer a sua política monetária, com as taxas de juro de referência a duplicarem num espaço de tempo inferior a dois anos. Actualmente, a taxa de juro está nos 4 por cento, quando no final de 2005 se situava nos 2 por cento. “Enquanto as taxas de juro se mantinham baixas, ainda era possível aguentar o sector, mas com este aumento «estapafúrdio» das taxas, o sector está morto e vai bater no fundo em 2010”, afirmou Manuel Ferreira Anjos, numa entrevista à Lusa.
Aquele especialista prevê que em 2010 serão construídas em Portugal apenas 22 mil habitações novas, contra os 122 mil fogos que eram construídos em 2001 ou os 36 mil em 2006. Mesmo assim, para conseguirem ser vendidas, aquelas habitações terão que ser de qualidade superior e direccionadas para a classe média/alta e para proprietários de meia-idade, com maior poder aquisitivo, considera. “O sector precisa que o Governo arranje alternativas, através de parcerias, porque já não vive da habitação, mas pode viver dos aldeamentos turísticos, hotéis, escolas, dos lares da terceira idade e das estradas. Até na área do ambiente, a construção de uma boa rede de esgotos e de águas é uma alternativa”, sublinhou.
Entre as alternativas, o director da ESAI inclui também o necessário aumento da exportação e atracção de investimento estrangeiro. “Por um lado, as grandes empresas de construção e imobiliário devem internacionalizar-se e ir construir no estrangeiro. Por outro lado, devíamos beneficiar a venda de produtos/casas portugueses a estrangeiros”, defendeu. Para tal, sublinhou, “o Estado não precisa de dar nada, basta melhorar o tratamento fiscal na aquisição de casas por estrangeiros.
“Muito preocupados” com o impacto negativo no sector do aumento continuado das taxas de juro estão os empresários. E, para o presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, Reis Campos, só a atracção de investimento estrangeiro em habitação poderá agora minimizar as dificuldades. Pelo contrário, os mediadores imobiliários dizem não sentir “efeitos de maior” e consideram o abrandamento de actividade “inevitável”. O presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Mediação Imobiliária, José Eduardo Macedo, explicou que o abrandamento da construção no segmento residencial tem a ver com a maturidade que o sector atingiu.

 

Fonte: O primeiro de janeiro

 

 

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