Número de alunos em Engenharia Civil nas Universidades – Tornar-se-á problema?

by

Já aqui anteriormente se falou que a Ordem, através de Bastonário Fernando Santo, pensa que se deveria diminuir ao numero de vagas em Engenharia Civil nas Universidades. Este domingo ficou-se a conhecer a lista de alunos colocados. Acedi ao site www.acessoensinosuperior.pt e consultei a lista em excel que lá tem. Constatei que existem 28 cursos que ao todo representam 1898 vagas, das quais 1512 ficaram preenchidas nesta primeira fase. Nove instituições preencheram totalmente as vagas. A instituição em que o ultimo aluno apresentou a nota mais alta foi no Instituto Politécnico de Tomar – Escola Superior de Tecnologia de Tomar com uma média de 15.12, e a nota mais baixa de entrada do ultimo classificado foi no Instituto Politécnico de Viseu – Escola Superior de Tecnologia de Viseu com média de 10.19.

Relembro no estado que se encontra o sector, em que já aparece mais frequentemente casos de desemprego (mesmo que ainda não se verifique, a forte concorrência puxa para baixo em muitos euros os salários e os valores ganhos em projecto), onde aqui há uns anos falava-se em taxa de empregabilidade de 100%, onde há uma forte crise sem sinais de recuperação, acham que se deveria tomar medidas imediatas para impedir que o nosso sector se torne no igual ao sector do ensino?

Lanço aqui o debate

Artigos Relacionados

Anúncios

17 Respostas to “Número de alunos em Engenharia Civil nas Universidades – Tornar-se-á problema?”

  1. Alexsandro Says:

    Gostaria de perguntar se esse é um problema que ocorre em Portugal? Pois vejo uma crescente demanda em todo o mundo e no Brasil esse era um setor que estava bem devagar, mas mostra-se em grande ebulição.
    Grandes obras e grande projetos estão saindo do papel o que torna o setor bem interessante para quem se formar nos próximos anos.
    Sua posição refere-se apenas ao mercado português?

  2. Jacinto Sepúlveda Says:

    Sim, o que eu refiro é apenas no caso português. O sector atravessa uma grave crise de confiança, e ao contrário de outros países, não há quase nenhum investimento

  3. xm carreira Says:

    Do ponto de vista académico, infelizmente a engenharia civil está em crise em toda a parte. É uma carreira que deixou de ser de prestígio para ser uma commodity à baixa; isso também acontece no Reino Unido, nos EUA, na Alemanha, etc… Quando eu entrei no meu curso de engenharia na Espanha a nota mais baixa era 76%, hoje com o 55% é suficiente. Talvez a maior crise da engenharia na Espanha aconteceu com a engenharia informática e a engenharia de comunicações que passaram de mais de 85% a 50%. Hoje toda a malta prefire estudar coisas da saúde, finanças e negócios, estudos sociais, sei lá. A engenharia e a ciência estão em baixa, não há dúvida.

    No que diz respeito à economia, não conhecia a crise do sector imobiliário português mas, do meu ponto de vista, o problema no caso das grandes obras públicas em Portugal tem muito a ver com que o governo vizinho nem tem dinheiro para investir nem tem o apoio de grandes empresas lusas (construtoras e bancos) que auto-financiem importantes obras sem receber dinheiro durante os primeiros anos da empreitada.

  4. Victor Figueiredo Says:

    A meu ver, caro Jacinto, a inevitabilidade está à vista.
    Se eu neste momento fosse professor recente e tivesse pretensões em dar aulas, bem que podia esquecê-las nos próximos 10 anos. A educação sai muito cara ao estado. Neste momento este preocupa-se mais em concentrar do que em dispersar. Ou seja, ao nível do emprego esse sector vai ter mais aperto. Para o ano vão fechar mais 2000 escolas. São no mínimo 2000 professores…
    Quanto ao nosso sector, estão a verificar-se alguns sinais no governo com vista ao aumento do investimento em obras e equipamentos. Isso é positivo. E é bom que tal suceda, pese embora paire ainda no ar a crise do mercado imobiliário norte-americano que condicionará a economia nos próximos tempos.
    No entanto, não tenho dúvidas em afirmar que o mercado está saturado, ou muito próximo disso, ao nível da direcção de obra e projecto. Em projecto de edificações correntes, a situação é caótica. A concorrência tende a canibalizar-se. Ao que parece as cadeiras de ética e deontologia não estão a surtir efeito…
    Em direcção de obra os grandes empreiteiros continuam em suspenso aguardando decisões acerca das empreitadas mais mediáticas. A faixa de mercado caseiro, doméstico, ou como lhe queiram chamar (talvez a designação de mercado “municipal” seja a mais adequada), onde as qualificações são pouco valorizadas, vai andando ao ritmo das obras camarárias que em breve vão aumentar. Não esqueçamos que os autarcas vão a meio do mandato.
    Perante este cenário, a solução, por todos os motivos, é mesmo a diminuição do n.º de vagas. Não há outra alternativa. Por arrasto, muitas das escolas que actualmente leccionam engenharia têm os dias contados, podendo desta forma, e em simultâneo, corrigir “aquilo que vai mal no ensino da engenharia em Portugal”.

  5. Jacinto Sepúlveda Says:

    Concordo completamente

    a meu ver é preciso haver um forte choque na nossa construção, uma coisa que motive e mobilize meios e financiamento, (sei lá o que poderá ser…talvez deixar construir em altura e finalmente permitir a construção em Almada da manathan portuguesa, era algo que certamente iria atrair investimento estrangeiro, as empresas iriam-se mobilizar na hipótese de poderem ser elas a construir..isto é apenas um pensamento meu..o que não quer dizer que seja a melhor forma, mas algo deste género sim).
    Ainda há pouco tempo o governo anunciou a construção de 10 novas barragens….
    Penso que estamos num ponto necessário em que uma viragem para o futuro e modernização do pais na área da construção..é necessário projectar e pensar bem o caminho a seguir para isto não voltar a acontecer, não tomar medidas só para remediar e ajudar meia duzia de empresas a não afundar..é necessário fazer reformas? então siga…se é par melhor…se é necessário vamos lá..chore quem tem de chorar…paciência..chora-se hoje..mas no futuro será melhor.

    cumprimentos

  6. Tiago Cunha Says:

    Concordo com o Victor e nada melhor do que alguém que já está dentro do sector para dizer o que vê. Eu como estou à porta do sector (assim como quem bate à porta e espera que o deixem entrar) não sei se tenho a visão mais correcta.

    Contudo, há algo que eu penso que pode revitalizar decisivamente a construção civil em Portugal, que é alguém (governo) se decidir a criar politicas que combatam realmente a desertificação do interior do país, o que consequentemente provocará um aumento de investimento nessa zona. Assim, penso que a construção civil receberia um novo impulso em Portugal passando a haver uma maior área territorial de interesse.

    Que dizem, concordam ou isto foi um momento relativamente disparatado de quem não tem nada para fazer? 🙂

  7. Fiodor Says:

    Aqui relembras duas questões: quantidade e qualidade da oferta .
    É certo que o problema está na procura, sendo esta inferior à oferta, em breve será uma banalidade encontrar engenheiros no desemprego. Naturalmente, os civis serão o elo mais fraco: o parque habitacional está perto da exaustão; a classe média endividou-se para adquirir a sua primeira e segunda casa; as redes de comunicação estão quase completas; a crise leva a que se corte no que é mais fácil – o investimento público.

    Há 20 anos era comum ouvirem-se coisas como “Os tipos espertos vão para engenharia. Os burros vão para medicina e direito.”. Esta situação sofreu uma grande volta: as medicinas conseguiram controlar as vagas, mantendo sempre a oferta bem abaixo da procura, fruto de um excelente trabalho de lobby. A engenharia e direito por sua vez, descuidaram-se. É preciso apontar o dedo, e apesar de ter bastante apreço pela ordem dos engenheiros julgo que não anda a fazer um trabalho por todos nós neste aspecto: abriram-se cursos por todo o lado, abrindo-se a hipótese de os seus licenciados poderem aceder via exame à ordem. Pois bem, na minha óptica, a ordem deveria ter pressionado os sucessivos governos a não aurorizar a criação de mais cursos de engenharia em áreas já de si lotadas, e de qualidade duvidosa, mesmo em universidades com alguma reputação. Resumindo, regulou-se um mercado, e quase que se liberalizou outro.
    Quando tal acontece e em áreas concorrentes já se sabe o que acontece – a generalidade das pessoas preferem ir para áreas onde saibam que irão ter um mercado regulado que lhes providenciará emprego no futuro. E assim lá as engenharias vão perdendo as “melhores cabeças”.

    Há uns tempos falava com um amigo francês que me dizia que em frança para além de existirem engenheiros no desemprego, também existiam muitos médicos na mesma situação. O mesmo veio fazer erasmus para portugal, para aprender português e rumar à américa latina, uma vez que sabe que dificilmente terá trabalho em frança.

    Penso que ter um mercado de ensino superior livre tem grandes vantagens e desvantagens. Se tomarmos como exemplo os states, verificamos que não existe desemprego na área da engenharia, o que se justifica pelo maior pragmatismo dos americanos: é exorbitante estudar num “college” sem bolsa de mérito, pelo que a maior parte dos americanos opta por formações intermédias, coisa que praticamente já não existe em portugal, por razões de status social.

    Transpondo para o caso português, penso que só teremos duas soluções: reduzir e limitar o número de cursos para valores aceitáveis e fomentar cursos de formação intermédia, ou então seguir o modelo realmente liberalizado americano, que se incubirá de reestabelecer os desequilíbrios actualmente existentes.

    Aos que por agora estudam, é bom que comecem a preparar-se para uma carreira no estrangeiro, seja na américa latina, em áfrica ou no médio oriente, porque o investimento na construção, em portugal, continuará a sua tendência negativa.

    infelizmente, tal já é uma realidade, e muitos de nós teremos que seguir o exemplo deste meu comparsa francês.

    cumprimentos

  8. jorge branco Says:

    Pá, isto está tudo perdido!
    Já existem cursos creditados pela OE a aceitarem geometria descritiva como especifíca!! Já só falta aceitarem inglês técnico como específica..

  9. xm carreira Says:

    Não concordo com Fiodor em que o mercado da engenharia nos EUA esteja melhor (basta ler os bate-papos de Eng-Tips.com). Eu percebo o mesmo problema de “commoditização”. No acadêmico, a engenharia foi e continúa a ser uma coisa difícil, mas há áreas mais lucrativas e com menor esforço com o que as melhores cabeças têm desaparecido das escolas de engenharia. Se a isto juntamos o excesso de vagas e saturação do mercado, está tudo feito para uma crise.

    Caros colegas, os engenheiros temos de pensar sempre globalmente. Do meu ponto de vista o futuro da engenharia na Europa passa pelo Leste, onde está tudo por ser feito, e no mundo pela China, a India e algúns países de rápido crescimento da América Latina (nomeadamente Chile, México, Brasil e Argentina). Mas para concorrer lá as empresas têm de tornarem-se grandes (com fusões no sector dos projectos e da construção, e parcerias pontuais do tipo consulting+banco+construtora); o grande problema de Portugal é de DIMENSÃO das suas empresas no novo cenário EU-25 (assim o disse Belmiro de Azevedo no Prós e Contras). Uma empresa que é grande no mercado nacional pode ser mesmo pequenina no mercado europeu e global.

  10. xm carreira Says:

    Peço desculpa pelos possíveis erros de português nos comentários anteriores. A língua de Camões é dificil.

  11. Victor Figueiredo Says:

    Concordo com o XM se adoptarmos uma perspectiva macro. Porque numa perspectiva regional vemos um horizonte fechado que limita as oportunidades de emprego. Penso que a maioria, por variadas razões, se encontra nessas circunstâncias
    É claro que o XM está na Espanha e sendo ele português (julgo eu) já optou pela alternativa do trabalho no estrangeiro.
    Mas reparem, na Europa dos 27 onde se pretende grande mobilidade de bens, serviços e pessoas, no caso português, continuamos no nosso canto à beira-mar plantado sem as pessoas fazerem uso dessa mobilidade. Mantemos com brio, a nossa mentalidade paroquial, com um olho no particular e o outro no serviço público e por isso não arriscamos.
    Esse é o motivo principal, a meu ver, que leva à saturação do mercado nacional e que nos conduz à conclusão de que existem muitas vagas disponíveis que fomentam o excesso de engenheiros (a questão das designações dos cursos que não se sabe se são carne se são peixe, é outra).
    Agora se alargarmos os horizontes e fizermos uso dessa mobilidade, afinal de contas somos cidadãos europeus, a conclusão a que chegamos será outra. Rapidamente passamos a encarar o assunto como um oceano de oportunidades. E quem fala na Europa, fala no Brasil ou em Angola, ou na América-Latina como bem referiu o XM.
    Já referi aqui que se tivesse menos 10/15 anos iria para Angola por dois motivos: pelo leque alargado de escolhas, em empresas nacionais (infra-estruturas, edifícios, projecto, …) e pela facilidade na comunicação.
    Se tomarmos consciência de que podemos tomar essas opções, como quem transita de uma cidade portuguesa para outra mais a sul ou mais a norte, o carácter excepcional desaparece e passamos a aceitar a mudança como algo natural. A barreira encontra-se aí, o nosso problema é ultrapassá-la. Os americanos, por exemplo, têm uma mobilidade espantosa, todos os anos 1/3 da população muda de estado.

  12. xm carreira Says:

    Ó, caro Victor! Não sou português, mas trabalho com alguns colegas do Porto no escritório e com eles partilho o tempo do café da manhã e sempre aprendo algumas coisas interessantes.

  13. breno jose villa Says:

    vai trabalhar no canada la os engenheiros civil ganham muito bem ,estude um pouco de ingles e va para o canada outra coisa importante se vc é um pessimo eng civil pode optar em fazer especialização em eng seg trabalho esse engenheiro ganha muito dinheiro e a especialização e de 1,5 um ano e meio apenas todo engenheiro pode fazer a especialização.

  14. eng Frans Says:

    Escolas com menos de 90 vagas e tudo o que não é acreditado pela ordem tem que acabar, fiquem menos mas boas, talvez as de lisboa, coimbra, porto, aveiro, minho, e talvez uma no centro norte. As outras apenas irão diminuir a nossa qualidade e apertar o cerco no desemprego. Um bem haja,

  15. Luis Says:

    A nota de tomar com 15.12 foi um erro, a média de entrada nesse instituto foi menos de 11. Acho escandaloso o numero de vagas e facilistismo. Por este andar dentro de 5 anos haverão o dobro dos engenheiros que ha agora. Pior, 70% deles no desemprego ou a trabalhar percariamente ou como ja acontece noutras profissões a preços ridiculos à hora. A ordem deveria pressionar o governo o mais depressa possivel. 80% de redução já! Pelo bem de todos

  16. Fernando Real Says:

    meus amigos eu ando a procura de dois engenheiros civis para trabalhar no Porto e Gaia na certificação Energetica e nao aranjo, com remunerações muito acima de 1.000,00€ e não encontro poreste motivo eu não percebo a vossa tesse por favor um de vosses poderia me explicar qual o motivo ?

  17. Eng M Says:

    Senhor Fernando real, penso que o que se fala na tese é o futuro daqui a 5 ou 10 anos, a verdade é que matematicamente será um problema de emprego daqui a esses anos. Agora na sua situação penso que se trata mesmo de escassez de especialistas nessa area. Mas por 1000 € será dificil.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: