Novo Aeroporto Lisboa – Alcochete só vai ver obras em 2010

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Após ter sido entregue o estudo comparativo efectuado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, segue-se agora a consulta pública de avaliação ambiental estratégica, essencial para o arranque da fase de projectos, e que terá uma duração estimada em 30 dias.
Refira-se que os riscos ambientais foram um dos poucos factores críticos de decisão em que a Ota levou a melhor sobre Alcochete no referido estudo, sendo agora necessário, segundo o LNEC, colocar “maior exigência” na qualidade ambiental do projecto.
Neste momento, as perspectivas do Governo apontam para o lançamento do concurso público para a construção e concessão da exploração do novo aeroporto em 2009 e para o início das obras de construção em 2010. Segundo Mário Lino, ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, a construção do aeroporto em Alcochete começará mais tarde, mas pode recuperar depois, porque “é mais fácil e rápido de construir”.
À excepção destas adaptações, não são esperadas mais alterações ao empreendimento, nomeadamente no que diz respeito ao modelo de negócio previsto para o financiamento da obra e que se baseia numa parceria público-privada, em que a maior parte do investimento cabe aos privados e que inclui a privatização da entidade gestora da generalidade dos aeroportos nacionais.
No entanto, Portugal vai ter de apressar a entrega em Bruxelas dos novos estudos sobre a localização do aeroporto, sob pena de perder os fundos estruturais e de coesão, previstos para o período 2007-2013. Recorde- se que o pedido de financiamento comunitário de 250 milhões de euros efectuado no Verão passado baseava-se no aeroporto projectado para a Ota. (Clique para ler o resto)

Prós e contras

Após décadas de indecisão, o Governo anunciou, no passado dia 10 deste mês, que o novo aeroporto internacional de Lisboa vai ser construído em Alcochete.

A decisão baseou-se nas conclusões do estudo comparativo efectuado pelo LNEC, segundo as quais a localização da infra-estrutura aeroportuária na Margem Sul é, do ponto de vista técnico e financeiro, “globalmente mais favorável” do que na Ota. De facto, diz o referido estudo, em termos financeiros, Alcochete custa menos 200 milhões do que a Ota.

De acordo com o mesmo documento, Alcochete ganha à Ota em “quatro dos sete factores críticos de decisão”, nomeadamente: “segurança, eficiência e capacidade das operações do tráfego aéreo; sustentabilidade dos recursos naturais e riscos; compatibilidade e desenvolvimento económico e social; e avaliação financeira”.

Por seu turno, a Ota leva a melhor nos factores respeitantes: à “conservação da natureza e biodiversidade”; aos “sistemas de transportes terrestres e acessibilidades”; e ao “ordenamento do território”.
O estudo do LNEC realça que, “contrariamente à localização na zona da Ota, a localização do novo aeroporto de Lisboa na zona do Campo de Tiro de Alcochete é uma hipótese muito recente, para a qual não se verificou um grau de desenvolvimento de estudos comparável, visando, nomeadamente, a optimização de soluções de implantação e a redução de impactes negativos”.

Novas acessibilidades

O Laboratório salienta ainda que a localização em Alcochete não foi contemplada em planos e projectos, por exemplo, “de acessibilidades e ordenamento do território”, de onde é ainda expectável a possibilidade de obtenção de benefícios, em termos comparativos, para esta localização.
No domínio da segurança, o LNEC concluiu ser “possível, em qualquer das duas localizações analisadas, garantir padrões de segurança operacional adequados”. Quanto à “eficiência e capacidade das operações do tráfego aéreo”, frisa que os elementos disponíveis indicam Alcochete como “mais favorável”.
Do ponto de vista estritamente financeiro, o estudo do LNEC expressa a “vantagem da alternativa da localização na zona do Campo de Tiro de Alcochete face à zona da Ota”, numa “menor exigência de investimento total (5.191,2 milhões de euros e 4.926,6 milhões de euros a preços de 2007, respectivamente, para a Ota e Alcochete) e “na existência de um valor actualizado líquido diferencial positivo” de 1.655,28 milhões de euros para a Ota e de 1.986,4 milhões de euros para Alcochete.
Foi o Primeiro-Ministro, José Sócrates, quem anunciou oficialmente a decisão do Governo de aprovar, “prévia e preliminarmente” – a decisão só se tornará definitiva após a avaliação ambiental e consulta pública -, as conclusões do relatório, que também recomenda a construção de uma ponte rodo- -ferroviária entre Chelas e o Barreiro, que deverá orçar, no mínimo, em 1,7 mil milhões de euros, incluindo 600 milhões para a componente rodoviária. A razão para esta opção é simples: criar uma alternativa rodoviária à ponte Vasco da Gama.
A propósito das acessibilidades ao futuro aeroporto em Alcochete, o LNEC diz que a redundância nos acessos não é demais. Neste sentido, sugere que o acesso principal de passageiros seja feito através de uma nova auto-estrada a construir entre dois nós fechados, um na A12 (Setúbal/Montijo) e outro na A13 (Almeirim/Marateca). A ligação a Lisboa seria, assim, feita por estas duas auto-estradas que dão acesso directo à Ponte Vasco da Gama.

Quanto ao TGV, o estudo do LNEC adianta que a linha de alta velocidade Lisboa-Madrid passa a sul do Campo de Tiro de Alcochete, “sendo possíveis várias configurações de serviço em bitola europeia”. Deste modo, o traçado poderá ou não ser reformulado.

Sector aplaude definição

A decisão do Governo foi recebida com agrado pelo sector da Construção, que aguarda com expectativas fundamentadas, há pelo menos dois anos, o desenvolvimento de uma das maiores obras programadas para o País.

António Mota, presidente da Mota Engil, foi um dos primeiros empresários do Sector a tecer comentários à decisão. “O novo aeroporto é urgente, seja onde for. Fico muito satisfeito com a decisão e espero que seja irreversível”, afirmou o líder da empresa, que, juntamente com a Brisa, a Somague, o BCP, a CGD e o BES (e, indirectamente através desta instituição financeira, a OPCA, agora Opway, após a fusão com a Sopol), constituiu, em 2006, o primeiro consórcio interessado na candidatura ao projecto.
A tomada de posição do Executivo deverá agora fazer com que também outros agrupamentos comecem a surgir. Teixeira Duarte, Soares da Costa, Edifer, MSF, Lena, MonteAdriano, Casais e Construtora do Tâmega são apenas algumas das construtoras que também têm manifestado apetência pelo projecto. Porém as indefinições no processo de decisão e algumas dúvidas sobre os “timings” do mesmo têm retraido o alinhamento de novos agrupamentos.
Os últimos desenvolvimentos deste projecto, nomeadamente no que diz respeito à definição da sua localização, também satisfazem a AECOPS, que sempre afirmou que a demora desta decisão era prejudicial para o País, tanto mais que “o aeroporto já devia estar construído”.
Fonte: AECOPS
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14 Respostas to “Novo Aeroporto Lisboa – Alcochete só vai ver obras em 2010”

  1. B Sabarigo Says:

    Quanto é que poderá ser o ordenado de um trabalhador no novo aeroporto?

  2. C Letucce Says:

    Depende:
    a) da empresa para quem trabalhar;
    b) da função que desempenhar;
    c) dos horários de trabalho;
    d) da experiência e habilitações que tenha;

    Por último poderão haver componentes variáveis de salário, com base na produtividade pessoal e dos resultados da empresa no seu todo.

    É com agrado que vejo o espirito empreendedor já a despertar !!! (ou então sou ingénuo…).

    Espero ter ajudado, os meus cumprimentos,

    C Letucce

  3. Zé das Couves Says:

    Eu n concordo com nenhum.

    Amanha digo a minha opinião se n esquecer.

    Ou entao se a antena da net n cair pa estrada.

    Adeus mija-mija

  4. Gastao Says:

    Tudo bem se logisticamente etc Alcochete e o local mais indicado para o novo aeroporto. Apenas um detalhe MUITO IMPORTANTE

    ALCOCHETE e um nome Arabe, a capital de Portugal e Portugal merecem um nome do aeroporto PORTUGUES, Europeu, moderno e nao uma melange magrebina- que tenham o bom senso de pensar nisso.

  5. luis ribeiro Says:

    o tgv de lisboa a madrid e do algarve a huelva e sevilha são urgentes desde que a custos moderados o aeroporto do montijo será outra alternativa, quando a portela passar só a voos simples ou de low cost.

  6. Fernando Raimundo Says:

    Meu caro Gastão, se gosta tanto de Portugal como parece e tem tanto orgulho em o ser não menospreze a influência magrebina que nos foi legada (vá até Espanha e veja o magnifico legado que por lá deixaram).
    Já agora, uma vez que parece não ter muito orgulho nas suas origens, ao menos honre Portugal e a sua cultura escrevendo correctamente a sua língua ao invés de Mussulmana escreva Muçulmana.
    Grato

  7. Rui Fonseca Says:

    Estou a falar do senhor D. Gastão…

    Lisboa é um nome quê?
    E Gastão?
    É português??
    Como há-de este país ( e este mundo….) evoluir com mentes tão tacanhas…
    Que grande idiota…

  8. Rodrigo Miranda Says:

    E que tal “Aeroporto Interncional Antonio de Oliveira Salazar”???? ja que lhe roubaram a ponte!!!! E foi considerado de longe o maior Portugues de sempre na mais recente sondagem nacional, e o dito aeroporto ja esta atrazado varios anos …. que dizem????

  9. Rodrigo Miranda Says:

    Internacional ….. perdao

  10. Beatriz Antonio Says:

    Gostaria de saber quais sao as empresas que vao estar na construçao do novo aeroporto em alcocheto, pois meu namorado gostaria de se candidatar.

    Desde já agradeço a vossa atenção
    sem outro assunto desde já
    Beatriz Antonio.

  11. Jaime Medeiros Says:

    Tenho uma sugestao para o nome do Novo Aeroporto em Alcochete:Aeroporto Gago Coutinho.Este homem foi uma grnde figura da Aviacao Portuguesa e da Ciencia de Navegacao e Geografia.

  12. daniel Says:

    boa noite,
    para ja parabens para Portugal, que por uma vez toma uma decisao sensata….porque para coisas uteis que vão criar trabalho como um aeroporto da se lhe tanto contras, mas gastar milhoes em estadios que so da trabalho a pessoas que ja ganham milhoes, e por xutar numa bola…nao se fala tanto. Agora permitam me uma critica de bom humor , um aeroporto novo e de tanta importancia para este pais, ter um nome de Gago…ja nao basta coisas tortas nesta nossa sociedade…pelo menos que seja um nome que inspira algo mais ….percebem…respeitando a figura historica e honravel do Senhor Coutinho…mas gago….

  13. Alexandre Mota Pereira Says:

    E se houver um sismo, originado na falha de Benavente ,como há 100 anos e há 4 séculos , o que vai acontecer , mais tarde ou mais cedo , como se comportarão os acessos? E Lisboa ficará sem aeroporto , admitindo que este resistirá à liquefaçãos solos. O LNEC OMITIU ESTE PROBLEMA fundamental e para o qual o estudo comparativo da AdP chamou a atenção. Um morivo mais do que suficiente para voltar atrás. O estudo do LNEC não É HONESTO ,nem sério, nem científico , limita-se a fazer um favor à CIP e aos seus interesses privados e o ministro Lino demite-se das suas funções de Estado, cedendo à CIP,como demonstraremos . Mota Pereira, eng.º civil ( F.E.U.P. )

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