Curiosidade: Microestacas

by

“Partilho convosco um pequeno feito de engenharia que vi em Alcântara; penso que seja do vosso interesse pois não é uma técnica construtiva que se veja regularmente. A empreitada das fundações está a cargo da Geocimenta – Fundações e Construções, SA.

micro1.jpg

Tentarei descrever a solução construtiva em suposições de espectador, à distância que estava quando fotografei o edifício.

micro2.jpg    micro3.jpg  

É um edifício pombalino constituído dois pisos mais a mansarda, nota-se a grande espessura (variável entre pisos) das paredes frontais de alvenaria de pedra, as fachadas são rasgadas por grande janelas com pouca cantaria e o pavimento é de madeira com barrotes assoalhado por tábuas. O sótão oval é fruto dalguma intervenção mais recente…

Penso que o objectivo será acrescentar dois pisos inferiores (a julgar pela altura de escavação) mantendo o edifício original intacto.

Primeiro, recalcou-se todo o edifício (acompanhando as paredes frontais pois não há outro tipo de fundações) recorrendo a microestacas de coroa circular, solidarizadas no seu coroamento às paredes por vigas e maciços de recalçamento em betão armado. Com a remoção do terreno de sustentação do edifício, é preciso transferir as cargas de modo continuado para o solo inferior; os maciços encarregam-se da transmissão dessas cargas para as microestacas. A solidarização dos elementos verticais recalçados aos maciços de encabeçamento das microestacas é executada por barras pré-esforçadas.

Suponho que o faseamento seja o seguinte:

  • -Cravação das microestacas em torno do elemento a recalçar;
  • -Execução dos maciços de encabeçamento das microestacas;
  • -Solidarização dos maciços de encabeçamento aos elementos verticais por meio de costura com barras pré-esforçadas;
  • -Escavação do solo com transferência de cargas para as microestacas e projecção de betão na base do muro (traseiras do edifício) para contenção do terreno;
  • -Execução de novos maciços de travamento entre microestacas;
  • -Continuação da escavação até à cota pretendida e projecção de betão para o muro.

micro5.jpg

Se tiverem curiosidade em visitar a obra, esta situa-se no cruzamento da Rua Maria Pia com a Travessa da Costa, em Alcântara.”

NOTA: Toda a informação escrita e imagens chegaram até mim via e-mail, achei interessante aqui deixar para vossa apreciação e opinião. Quanto à veracidade e actualidade da informação não vos posso dar qualquer tipo de garantia.

14 Respostas to “Curiosidade: Microestacas”

  1. Fernando Torgal Says:

    é muito interessante

  2. Victor Figueiredo Says:

    Excelente post. Excelente engenharia!

  3. João Cerdeira Says:

    Nunca tive a oportunidade de presenciar uma técnica construtiva desta índole. Caso obtenhas mais informação relativas a esta obra ou a esta técnica não hesites em partilhar.

  4. João Cerdeira Says:

    Nunca tive a oportunidade de presenciar uma técnica construtiva desta índole. Caso obtenhas mais informação relativa a esta obra ou a esta técnica não hesites em partilhar.

  5. Vitor Gomes Says:

    Tive oportunidade de ler o artigo e achei-o interessante, por isso o divulguei a outros colegas.

    Recebi entretanto informação que a obra se encontra embargada devido a questões técnicas a apontar para sérios riscos de segurança, por instabilidade.

    Será que alguém me pode validar esta informação ?

    vg

  6. Henrique Says:

    De facto também recebi informações em como a obra se encontra embargada. Não conheço o motivo concreto para tal facto.

    No entanto, julgo que a obra deve ser olhada com algum cuidado. Repare-se no travamento das microestacas – só existe numa direcção, uma vez que cada maciço engloba apenas duas estacas.

    Soluções deste tipo não são novas, mas esta parece descurar a segurança num dos planos de envurvadura

  7. Pedro A. Says:

    Pois eu gostaria de saber os coeficientes de segurança utilizados em projecto. A parte disso concordo com o post anterior relativo ao travamento das microestacas. Quanto aos maciços de betão que servem para equilibrar os momentos tambem carregam as microestacas inferiores. Para a realização da escavação geral presumo que nesta zona houve necessidade de utilizar martelos que intruziram vibrações ao solo/Estrutura. Acrescento ainda o que todos sabemos, Lisboa é uma cidade com elevado risco sismico e que os sismos nao se prevêm. Se amanhã houver um sismo como se comportaria esta estrututra.

    Já agora há algum sistema de monitorização instalado?

  8. Rui A. Says:

    Não deixo de constatar com bastante apreensão os efeitos nocivos que uma concepção desta índole artística, só possível de materializar num país do terceiro mundo, está a gerar.

    É preciso não confundir arrojo técnico com número de circo, sob pena de ofenderem a dignidade profissional de uma classe que se dá ao respeito e se quer respeitada.

    Deixo apenas algumas reflexões técnicas:

    A obra encontra-se perfeitamente acessível, não possuindo qualquer vedação.

    As imperfeições geométricas das colunas são, na maioria dos casos, visíveis a olho nú (desvios de verticalidade próximos de 2% com curvaturas assinaláveis). As mesmas são constituídas por tubos da classe N80 CHS(88.9×9.5?), em troços máximos de ~ 3m, unidos com manga metálica exterior, sabendo-se que tais ligações apresentam rotura frágil.

    Não existe qualquer sistema de protecção às colunas, nomeadamente, a choques produzidos pelos equipamentos utilizados na escavação ou provenientes da via pública contígua.

    Igualmente não existe qualquer sistema de protecção contra quedas de fragmentos provenientes da estrutura suportada.
    A estrutura de suporte apresenta elevada flexibilidade lateral, principalmente na direcção perpendicular à menor empena, fortemente agravada pela compressão instalada nas colunas (não linearidade geométrica). Em termos dinâmicos, estimei frequência natural de vibração na ordem dos 0.164 Hz!!!!, o que torna a estrutura bastante sensível à acção dinâmica do vento. Não sendo admissível a dissipação de energia por formação de rótulas plásticas nas colunas, o coeficiente de amortecimento deverá ser baixo (na ordem de 1%).

    Em análise dinâmica estocástica com séries temporais aleatórias, baseadas no gráfico de densidade espectral de potência proposto por Davenport, obtive velocidades máximas de rajada compatíveis com a integridade da estrutura inferiores a 78 km/h (factor de resposta dinâmico máximo rondando o valor de 3).

    Na cidade de Lisboa ventos com rajadas máximas de 80 km/h a 90 km/h têm um período de retorno inferior a 2 anos. Ventos com rajadas máximas de 100 km/h a 120 km/h apresentam período de retorno de ~7/8 anos (BORGES, 1971, p.273), tendo o último evento ocorrido em Dezembro de 1981.

    Se admitirmos tempo de vida útil da fase construtiva igual a 1 ano, estamos a falar de probabilidades de colapso superiores a 50% ( os valores normais são inferiores a 5%, em função do risco potencial associado ao colapso).

    O que é gritante é o facto de tal situação ser facilmente solucionável com recurso a contraventamento eficaz das colunas e travamentos executados ao talude, situação que não passou na cabeça do criador, pasmado com a sua arrogância (ou ignorância) técnica.

    Ainda por cima, estando a estrutura na sua fase de estabilidade crítica, em vez de promoverem a rápida estabilização da mesma em condições de segurança adequadas, suspendem os trabalhos mantendo a obra perfeitamente acessível ao comum dos mortais. Só mesmo em Portugal!!!

  9. BValente Says:

    Não é preciso ser Eng. para ver que a solução preconizada é instavel e inssegura e que poem em risco o cidadão comum que circule próximo, e os próprios trabalhadores da obra.
    A inssuficiencia de travamentos nas várias direcções é gritante.
    se os trabalhos de escavação continuarem aposto que a obra colapsa será como jogar à roleta russa. O que matém a estrutura ainda de pé é a zona não escavada correspondente ao segundo nível.
    Estes tipos de trabalhos para execução de parques de estacionamento e ou outros fins já são feitos em Portugal a bastante tempo (ex: Teatro Circo de Braga) em que foi feita uma escavação por de baixo da estrutura existente.
    É imprescindivel que todo o processo seja dimensionado, monotorizado e faseado.
    No caso presente não foram tidas em consideração nenhum destes prosupostos.
    Se não forem tomadas medidas correctivas urgentes, é uma questão de tempo para ver “aquilo” cair.

  10. Rui Ventura Says:

    Felizmente que alguns sairam a terreiro e comentaram esta aberração com as palavras que eu utilizaria para manifestar o meu desencanto ( já antigo ) pela forma leviana e incompetente com que alguns colegas (?) exercem a profissão! Têm razão o Rui A , Pedro A, B Valente e outros que inteligentemente disseram : ” o rei vai nú!”
    Ainda bem que sei a localização do “atentado”. Parafraseando ( algo deturpado) o slogam pós 25abril, direi: ” a minha pessoa por ali … não passará! ”

    Se embargaram a obra , então nem tudo vai mal no “reino da engenharia portuguesa!.. valha-nos isso!

  11. ANDRÉ GONÇALVES RAMOS Says:

    MUITO OBRIGADO POR TEREM PUBLICADO AS MINHAS FOTOGRAFIAS E O MEU TEXTO EXPLICATIVO SOBRE A INTERVENÇÃO COM RECURSO A MICRO-ESTACAS. MAIS AGRADEÇO AO TAL DE ‘NUNO CONDE’ QUE ASSINA UM DOCUMENTO ELABORADO POR MIM, E O PUBLICA SEM A MINHA AUTORIZAÇÃO.
    POSSUO AS FOTOGRAFIAS ORIGINAIS E O TEXTO DA REVISTA, ONDE ME ORIENTEI PARA ESCREVER O ARTIGO ACIMA.

    APESAR DE ENGENHEIROS OU LICENCIADOS EM, A ÉTICA CONTINUA DE FORA…

  12. Jacinto Sepúlveda Says:

    Caro Sr. André Gonçalves Ramos,

    Em relação ao seu comentário, gostaria em primeiro lugar de pedir desculpa e agradecer ao mesmo tempo, em nome de toda a equipa se este texto realmente é seu, pelo que já coloquei a sua autoria no fim do post e ficamos à espera da sua autorização formal para manter este artigo no nosso blog, pois é uma maior valia.

    Em segundo lugar, se leu o post até ao fim deve ter reparado no seguinte que passo a transcrever:

    “NOTA: Toda a informação escrita e imagens chegaram até mim via e-mail, achei interessante aqui deixar para vossa apreciação e opinião. Quanto à veracidade e actualidade da informação não vos posso dar qualquer tipo de garantia.”

    Parece-me evidente o que Nuno Conde não assinou o artigo, apenas utilizou alguma informação que lhe chegou via e-mail, como tanta que recebemos diariamente para partilhar com todos os restantes colegas.

    Por ultimo gostaria de expressar o meu desagrado quanto ao seu ultimo comentário, parece-me extremamente desagradável para com a equipa deste blog que sempre procura ter uma conduta irrepreensível, actuar de boa fé e isenção, nunca exercemos os direitos de autor de qualquer artigo que não seja da nossa autoria. Toda a informação que partilhamos com os restantes colegas (que no nosso ponto de vista é uma maior valia para todos) é publicada com respeito pelo autores, nunca menosprezamos os trabalhos que nos chegam e são analisados e publicados sempre com a salvaguarda da dignidade da classe.

    Espero ter resolvido o problema, e mais uma vez pedimos desculpa pelo possivel erro.

    Cumprimentos

  13. Nuno Conde Says:

    Caro André Ramos,

    Nunca foi e será do nosso interesse ter algum tipo de protagonismo ou postar artigos completamente escritos por alguém e assinados por nós. Fui eu que postei este artigo por achar interessante partilhar com aqueles que nos lêem e apreciam este espaço. O seu comentário denota que não leu bem o artigo até ao fim…Existe uma nota final onde escrevo que todo o conteúdo transcrito foi copiado de um e-mail que recebi sem qualquer tipo de autor dessa mesma informação. Como sabe, a internet é um mundo em que a informação que nos chega é constante…O que apenas fiz foi partilhar algo que me pareceu interessante. Tal como já disse o meu colega, caso não queira este artigo nós o retirare-mos.

    ” MAIS AGRADEÇO AO TAL DE ‘NUNO CONDE’ QUE ASSINA UM DOCUMENTO ELABORADO POR MIM” – Não o assinei, leia a nota final.

    ” E O PUBLICA SEM A MINHA AUTORIZAÇÃO” – Como poderia, se nem sequer sabia quem foi o autor??

    “POSSUO AS FOTOGRAFIAS ORIGINAIS E O TEXTO DA REVISTA, ONDE ME ORIENTEI PARA ESCREVER O ARTIGO ACIMA” – Já agora, caso queira que este artigo fique exposto, agradecemos que nos indique o texto e revista pela qual se orientou para escrever o seu texto explicativo…

    Penso que estamos todos esclarecidos.

    Nuno Conde

  14. J P Says:

    pois estão bem enganados, esta obra está viva e segura quem tirou fotos sobre a obra deveria voltar a tirar e depois dizer que é obra de outro mundo, não é do vosso terceiro mundo, ainda temos bons engenheiros e melhores construtores….
    É giro não falarem mais nada sobre esta obra, ainda não caiu afinal a roleta russa ainda rola

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: